Temporário no Japão vs. Efetivo no Brasil: quem sai perdendo mais?

Se está ruim para você que está no Japão trabalhando por empreiteira, imagina para o trabalhador efetivo no Brasil.

Lá, o Estado Brasileiro é o grande atravessador, a “grande empreiteira” de mão de obra é o governo, a força de trabalho brasileira é estatizada.

O trabalhador brasileiro, de modo geral, pertence ao estado, e quem quiser contratá-lo terá de arcar com altíssimos encargos; grosso modo, do custo total com o funcionário, o empregador paga 50% em salário e 50% em encargos ao governo para ter o funcionário no quadro de empregados da empresa.

Desse modo, metade dos custos com o funcionário vai para o estado, o que torna o custo de contratação demasiadamente caro para o empreendedor.

E além disso, o governo ainda tributa o trabalhador mais um tanto direto na folha de pagamento.

Então, o que poderia ser revertido em salário maior para o trabalhador vai para o estado bancar, dentre outras coisas, o funcionalismo público federal com seus supersalários.

Não é à toa que 70% dos trabalhadores brasileiros ganham até 2 salários mínimos apenas. E a maioria dos estudantes universitários almeja ser funcionário público federal, visando estabilidade garantida em Lei.

Além disso, embora a constituição brasileira defenda a livre iniciativa, a propriedade privada, o estado exerce o papel de “sócio oculto” do empresariado.

Mais da metade dos custos operacionais de uma empresa é com o governo, tornando o investimento em empreendedorismo, abrir empresa, um dos investimentos mais arriscados daquele lado do mundo.

E não se enganem com CLT, 13º, FGTS, férias, licença maternidade de 120 dias, pois são justamente esses “direitos” que ajudam a encarecer a contratação, fazendo com que o mercado de trabalho, mesmo para trabalhadores efetivos, seja mais instável do que o mercado de trabalho para temporários aqui no Japão, além de ajudar a manter o salário médio abaixo do praticado em muitos países com economia menor do que a brasileira.

No caso FGTS, por exemplo, o contratante deposita 8% do salário pago ao trabalhador numa conta específica na CEF; o governo é quem administra o fundo, que rende em média 3% ao ano; seria melhor o próprio trabalhador administrar este recurso e alocá-lo numa aplicação que rende no mínimo 8% ao ano, que é o caso da caderneta de poupança.

E não se enganem também com a força sindical brasileira, a qual é mantida com o “imposto sindical” descontado à força da folha de pagamento do trabalhador brasileiro; no Japão, a adesão aos sindicatos é voluntária, assim como a contribuição sindical.

Sem contar que, sob o lombo do trabalhador brasileiro (no Brasil) pesa ainda o “imposto inflacionário” corroendo a renda.

Aqui no Japão, apesar da alta dos preços de alguns produtos, não há inflação monetária como no Brasil; o trabalhador pode planejar melhor sua vida com os recursos que tem, além de contar com o “estado de bem-estar social” oferencendo-lhe o mínimo para subsistência. (Todavia, este “estado de bem-estar” do Japão está cada vez mais ficando insustentável, demasiado caro, sobretudo com o aumento da população idosa no país; é bom nos atentarmos a isto).

Resumindo, o que você deixa de ganhar aqui no Japão por trabalhar por empreiteira, no Brasil, o trabalhador, mesmo efetivo, deixa de ganhar proporcionalmente muito mais por conta da “empreiteirona” chamada Estado Brasileiro.

 

Connexion Tokyo Team