Japão: assédio sexual no trabalho

Assédio sexual no trabalho: como enfrentar?

E se um chefe desse uma “passada de mão” numa funcionária, isto seria atentar contra a liberdade e propriedade da funcionária?

E se na hora do descanso, ao se abaixar para pegar o suco ou o troco na máquina de refrigerante, um colega encostasse na colega de trabalho, e ainda fizesse movimentos configurando uma encoxada, o que você faria?

E se um chefe ou um funcionário com mais tempo de firma, a título de “brincadeira”, ficasse apertando os seios de uma funcionária, como você reagiria?

Bem, não tenham dúvidas, isto tudo se configuraria como crime e exploração sexual.

Vejamos:

O que é crime?

Grosso modo, é toda ação, ou tentativa, contra a liberdade, propriedade e a vida.

O que é exploração?

Utilizar-se de alguém como meio, desrespeitando sua integridade e dignidade, para atingir um determinado fim, seja por necessidade ou para satisfazer desejos.

Portanto, se numa linha de produção, por exemplo, o chefe der uma “passada de mão” numa mulher, sem o consentimento da mesma — e mesmo com consentimento, o local não é apropriado para isto —, ele estará intentando contra a liberdade dela, pois ela estará sendo submetida a um tratamento contrário à sua vontade, e também estará intentando contra a propriedade, pois o corpo e espaço íntimo são propriedades do indivíduo, da mulher.

Uma simples “passada de mão”, além de crime contra a liberdade e propriedade individual, também é uma forma de exploração, visto que esse chefe, a fim de satisfazer um desejo sexual, ainda que apenas tateando o corpo, enxerga a mulher, subordinada à ele na relação de trabalho, como mero objeto para ele extravasar sua masculinidade.

Dito isto, mulheres, não se acanhem em dar um “show” caso isto aconteça; não permitam que vossas liberdades sejam ignoradas, vossos corpos sejam violados, mesmo que por uma simples “passada de mão”, a famosa “mão boba”.

Não admitam ser usadas como objetos por um ‘impotente existencial’ qualquer que, aproveitando-se do cargo e da posição social, deseja satisfazer uma vontade reprimida que não é da obrigação de mulher alguma satisfazer simplesmente pelo fato de ser subordinada ou colega no contexto do trabalho.

O que fazer?

Lembro-me do caso de um responsável de empreiteira (tantousha) que gostava de ficar perto da máquina de refrigerantes, num ambiente de trabalho predominantemente feminino, nos horários dos intervalos, só para encostar nos traseiros de algumas mulheres quando estas se abaixavam para pegar o refrigerante, encoxando-as por de trás, às vezes, bolinando-as.

Algumas saiam fora, diziam “ai que velho safado”, davam-lhe uns tapinhas, diziam-lhe alguns palavrões em português, mas davam risadas umas para as outras, ainda que não consentindo com aquilo. E assim, este assanhamento por parte do responsável continuava.

Até que um belo dia, uma jovem, com seus vinte e poucos anos, que não era mais uma na multidão, que não só xingava e ria ao mesmo tempo, não só dava tapinhas no velho, que não pronunciou nenhum palavrão, fez o que as mais velhas de idade e veteranas de fábrica não tiveram coragem de fazer: chamou toda a alta chefia da empresa contratante no local, em frente à máquina de refrigerante e contou, em alta voz, com punhos cerrados, rangendo os dentes, como era a atuação grotesca e nojenta daquele representante da empreiteira.

Indignada, manifestou aos chefes japoneses e as japonesas, num ótimo japonês, o quanto situações como aquelas eram humilhantes e degradantes para trabalhadoras que precisavam do emprego para viver, algumas eram mães e esposas, enquanto um ser com um comportamento asqueroso objetivava explorá-las, talvez, por se considerar superior e no “direito” de “brincar” com as partes dos corpos das funcionárias.

O velho foi demitido e ainda fora intimado a comparecer na polícia por assédio sexual.

Reflitam. Leiam este texto e compartilhem. Imponham-se nos locais de trabalho e não consintam com abusos, explorações e crimes.

Connexion Tokyo Team