Comprando casa no Japão: quanto eu pegaria de empréstimo?

QUANTO EU PEGARIA DE FINANCIAMENTO PARA COMPRAR UMA CASA?

Estava lendo o livro “11 Segredos para a Construção de Riquezas”, de Mark Ford, sócio americano da brasileira Empiricus Research, que produz relatórios de análises de investimentos. No livro — que não é de autoajuda — tem uma parte em que o autor diz o seguinte:

“Sabe o que mais pesa nos gastos mensais de uma família? O bairro onde moram.”

A partir daí, comecei a pensar no quanto alguns conhecidos meus alteraram seus estilos de vida após terem adquirido casa no Japão. Não só o bairro, mas o tipo de moradia também pesa nos gastos mensais. Também comecei a lembrar de casos de pessoas que contraíram empréstimos e após alguns anos estão suando para pagar as prestações, que já sofreram reajustes.

Tem os gastos relacionados às prestações que na maioria das vezes podem passar o que era destinado ao aluguel; tem os gastos com manutenção de um imóvel maior; tem os gastos com mobiliário novo; e tem o gasto com decoração, paisagismo, jardinagem etc.

Também comecei a pensar no financiamento que o banco libera para a compra ou construção do imóvel. O banco pensa em si em primeiro lugar. O gerente libera o financiamento pensando na lucratividade da instituição para a qual trabalha.

Baseado em estatísticas, o banco sugere uma quantia que já de antemão sabe que no geral o mutuário vai se esforçar para pagar. Ele não sugere um limite de forma a proporcionar parcelas a serem pagas em condições confortáveis para o cliente.

O banco, na verdade, sugere um valor a explorar ao máximo o pontencial de pagamento a longo do mutuário; fica subentendido: “pegue, pois pelo seu perfil, você tem potencial para pagar este financiamento em 35 anos; nós acreditamos no seu pontencial, por isso estabelecemos este limite, na verdade, acima das suas condições verdadeiras, mas estamos certos de que você se motivará psicologicamente a pagar, e nós lucraremos com isto”.

O banco sugere um montante que, dentro dos cálculos baseados em equações matemáticas, probabilidades, estatísticas e baseado nos estudos da psicologia do comportamento financeiro das pessoas, sabe que o mutuário se sentirá honrado em pagar, visando quitar sua casa no futuro e deixar o patrimônio para os filhos.

Considerando essas reflexões, comecei a questionar a forma como as imobiliárias e construtoras fazem para apresentar o projeto de financiamento ao banco, isto seguindo os critérios dos próprios bancos.

Geralmente, para sondar o quanto o banco poderá emprestar, essas empresas pedem os três últimos comprovantes de renda anual do pretendente comprador, pedem para informar o valor do aluguel e o tempo de residência, o quanto tem disponível em conta para dar de sinal, além de outros dados socioeconômicos.

Basicamente, baseado na renda média dos três últimos anos, no valor do aluguel pago e na idade do requerente, o banco avalia o “perfil financeiro” e estipula o valor que este teria condições de suar para pagar. Ou seja, o banco avalia essas três variáveis no escopo das estatísticas, probabilidades e pesquisas do comportamento financeiro das pessoas, e assim limita um valor que a pessoa daria o sangue, “ganbatiaria” para honrar o financiamento.

Voltando ao livro de Mark Ford… No livro, o autor salienta que: “quando os bancos facilitam o empréstimo, não é porque você é um cara legal e merece. Dinheiro fácil para quem quase não tem crédito sempre vem acompanhado de uma armadilha. Tudo isso também me ensinou a sempre fazer duas perguntas críticas sobre os empréstimos: “quanto vai custar?” e “posso pagar?”.”

Duas perguntas que deveríamos sempre fazer antes de contrairmos dívidas.

Isto também me fez pesquisar equações usadas por instituições financeiras e equações usadas por agentes financeiros independentes, que visam orientar o que é melhor para o cliente, e desenvolvi minha própria equação, caso eu queira financiar um imóvel no Japão. Vou ensinar.

Minha equação leva em conta a idade padrão de aposentadoria pela previdência social, idade no momento do financiamento, renda média dos últimos três anos (desde que não tenha sido decrescente). A idade padrão de aposentadoria é um fator que não pode ser desprezado, pois conforme o tempo passa, os gastos aumentam e a renda e a disposição para buscar renda alternativa diminui.

A equação:

65 – (idade) = X

X • 0,15 = Y

(renda média) • Y = Z

Por exemplo:

Com 40 anos de idade (fictícia!), com renda média de ¥3.500.000 nos três últimos anos, eu pegaria um financiamento de no máximo:

65 – 40 = 25

25 • 0,15 = 3,75

¥3.500.000 • 3,75 = ¥13.125.000

Ou seja, ¥13.125.000 seria o valor máximo que, aos 40 anos de idade e com renda média anual de ¥3.500.000, eu pegaria emprestado para adquirir um imóvel.

Se por este valor eu não conseguisse construir uma casa nova, e certamente não conseguiria, compraria uma casa usada, se caso fosse pegar o empréstimo bancário.

(M. M.)

Connexion Tokyo Team