“Brexit = crise no Japão? Que crise o quê, ow!”

A semana começou bem no mercado de capitais japonês, a bolsa de Tóquio fechou em alta de 2,39%. Em partes, o Brexit (saída do Reino Unido da UE) já era um evento provável, o risco já estava precificado pelo mercado.

Muitos comparam, erroneamente, este evento à quebra do Lemann Brothers em 2008, mas aquela ocasião fora uma surpresa. Já o Brexit era um evento considerado pelo mercado, o impacto maior foi ter contrariado as pesquisas de opinião divulgadas nas vésperas, as quais apontavam vitória do Bremain (permanência).

Mas se o mercado internacional continuar a buscar proteção em Iene, e este vier a se valorizar mais? Tudo indica que o Banco do Japão, sob a gestão do atual governo, vai intervir para desvalorizar o iene – há de se esperar, visto que o governo Abe tem sido um dos governos mais interventores na economia japonesa desses últimos tempos.

De todo modo, contrariando o que vem sendo divulgado pela mídia comunitária brasileira, a queda do dólar no Japão em si não é sinônimo de demissões em massa.

Vejamos: em 2008, após a quebra do Lemann Brothers, a moeda norte-americana caiu em relação ao iene, e durante o fim daquele ano até o início de 2010 o dólar ficou oscilando entre ¥88 a ¥100, época em que houve grande número de demissões em massa.

Porém, após o terremoto e tsunami em 2011, a divisa americana caiu ainda mais, chegando a ser cotada a ¥75. Salvo as paralisações por falta de materiais, ocorridas nos três meses seguintes a tragédia, o mercado de trabalho não fora afetado tanto como em 2008, não por causa do dólar. Portanto, dólar baixo e iene alto não significam necessariamente crise e demissões. Não se deixe levar por cotações de moedas apenas.

Na ocasião da quebra do Lemann Brothers, o que afetou bastante o mercado de trabalho foi a retirada de capital dos mercados de países desenvolvidos para ser alocados em mercados emergentes. Lembre-se que no mesmo período China, Brasil e cia. estavam “bombando”. Então, em vez de investir em ações de empresas japonesas, ou seja, financiando-as, investidores buscaram os mercados emergentes.

O Brasil, por exemplo, naquela ocasião, era listado como país com ‘grau de investimento’, nota dada pelas três principais agências de classificação de risco, o que representava um bom destino para a alocação de capital.

Porém, atualmente o cenário é outro. Os mercados emergentes não são como naquela época, lugares tão propícios a receberem capital de países desenvolvidos. Então, a tendência atual é a permanência do capital de investimentos nos países desenvolvidos, até porque o Reino Unido não faliu, não deu calote, não declarou guerra, apenas decidiu pela saída da UE, e isto pode durar até 7 anos, tempo suficiente para o mercado se ajustar.

Mas alguém pode alegar:

“mas a bolsa de Tóquio fechou no último dia 24 com queda de 7,29% por causa do Brexit! Olha a crise! Olha o desemprego em massa!”.

E daí? No dia 22 de maio de 2013 a bolsa de Tóquio fechou em forte e abrupta queda de 7,3% e no dia 27 daquele mesmo mês fechou com queda de 3%. Naquela ocasião, há um pouco mais de três anos, o alarde fora o mesmo. Queda na bolsa de valores só indica problemas concretos a curto, médio e longo prazo se a queda for continua, sequenciada, dia após dia, como em 2008. Vamos aguardar amanhã, pois hoje já fechou em alta de 2,39%, o que demonstra ser um bom sinal.

Além disso, notícias vindas do Reino Unido indicam que poderá haver um novo referendo. Já existe até um abaixo-assinado com mais de três milhões de assinaturas pedindo um novo pleito. A Escócia, país integrante do Reino Unido, já sinalizou que poderá realizar novamente um plebiscito pela independência.

Há um racha no Reino da rainha Elizabeth II por conta do Brexit. Irlanda do Norte e Escócia votaram pela permanência na UE, e País de Gales e a Inglaterra, o mais populoso dos 4 países, votaram pela saída. Isto poderia forçar um novo referendo, como tem sido exigido no abaixo-assinado.

Para finalizar: uma crise semelhante à de 2008 pode até ocorrer algum dia, mas não por causa do Brexit. Então, relaxa e não se deixe levar por cotações e oscilações de um dia apenas. Mas isto não quer dizer que não devemos estar preparados e com as finanças em ordem.

Abraço.

 

Connexion Tokyo Team